Padre Ivo Oro da paróquia de Faxinal dos Guedes -SC escreveu uma poesia sobre o momento que estamos vivendo em relação a PEC 287. É uma reflexão que nos ajuda a não ficarmos de braços cruzados e observando o que estão fazendo com nossos direitos que com muita luta foram adquiridos.
CONTRA A PEC DA PREVIDÊNCIA
Este governo golpista
Dá golpe de todo jeito
Está implodindo os direitos
Com sua prática fascista.
É um poder entreguista
Em favor dos capitais,
Entrega terras e estatais
Para os ricos brasileiros
E os grupos estrangeiros
Nos sugarem mais e mais…
Esta PEC da Previdência
Alcunharam de reforma.
Ela transtorna e deforma,
Não passa de uma excrescência.
Só com luta e resistência
Impedimos este atraso
Contra os pobres, neste caso,
Que veem direitos ruindo
E a aposentadoria sumindo
Pelos ralos do descaso.
Pra salvar a Previdência
Empurram a aposentadoria
Para os tempos da agonia
Ou da cova. Que violência!
Chega a ser uma indecência
Contra o povo que trabalha;
Vão tirar-lhe até as migalhas
Pra ajudar os investidores,
Banqueiros e opressores.
É um plano de canalhas!
Previdência não está falida
Tem superávit, por certo.
Tenhamos olhos abertos
Pra ver como é mal gerida.
O furo está nas medidas
De isenções a muita empresa
E desvios – não são surpresa -,
Além dos altos benefícios,
Privilégios vitalícios,
E o povo paga a despesa!
Se a reforma fosse boa,
Os que têm grandes salários
No executivo e judiciário
Também estariam na canoa…
Enquanto a mídia ensaboa
Com crise e meias verdades
Sessenta e cinco é a idade,
Proposta da situação,
Para a crucificação
Do envelhecer sem dignidade.
E outro enorme problema:
De impostos sonegações.
Quase quinhentos milhões,
Todo ano, nesse esquema.
Os golpistas no sistema
Vão fazendo vista grossa.
Esta proposta desossa
Sobretudo quem tem menos,
A multidão dos pequenos
Empregados e da roça.
Outra perversa ingerência
É o tal desvio dos impostos.
Aplicam em outros postos
O que seria da Previdência.
Com conluio e conivência,
E a mídia dando o aval,
Fazem aquele carnaval
Nos mentindo e tapeando
Pela goela enfiando:
“A Previdência está mal”.
Trabalhadores rurais,
Pagar uma taxa mensal…
Já não chega o Funrural,
Querem arrecadar mais.
Não se vê em TV e jornais
Mas até na exportação
Ainda ganha isenção…
Propõem pra se aposentar
Vinte e cinco anos pagar
Sua mensal contribuição.
Um alerta aos professores
E demais da educação;
É quase uma extinção
Do benefício e dissabores…
Não bastassem os labores
E dedicações diligentes
À criança e adolescente,
Querem vocês chegando à sala
Aos passinhos, de bengala,
Num cenário deprimente.
Hoje os trabalhadores
E as mulheres companheiras
Têm direitos, pois trincheiras
Formaram em meio às dores…
No passado, sabedores
De que nada vem de graça,
Foram às ruas e praças
Pra conquistar os direitos,
Metendo a cara e o peito
Na coragem e na raça.
Muitos não sabem agora
Que o direito conquistado
Foi com sangue derramado
Perda de renda e de horas…
Muita luta, Brasil afora,
Cassetetes enfrentando
E da polícia apanhando,
Trouxe um mínimo de decência,
Dignidade, previdência
E respeito ao ser humano.
Mas esta barbaridade
Não pode ficar por isso.
Na rua, nosso compromisso
É com a vida e a verdade!
Não à proposta da idade,
Gente adulta e gente nova!
Benefício ao pé na cova
Para o povo é um desrespeito.
Tirar quem tira os direitos
É a nossa luta e a prova!
(Ivo Pedro Oro – março/2017)